A GÊNESE DO PENSAMENTO NUMÉRICO E O SISTEMA DE NUMERAÇÃO BABILÔNICO: UMA ANÁLISE HISTÓRICO-EPISTEMOLÓGICA
Resumo
A presença estruturante dos números na contemporaneidade reflete uma longa trajetória de maturação conceitual, cujas raízes remontam às práticas primitivas de contagem por correspondência biunívoca e ao uso de dispositivos materiais de controle patrimonial. Sob uma abordagem histórico-epistemológica e metodologicamente amparada na pesquisa bibliográfica e documental de caráter qualitativo, este artigo analisa a gênese do sistema de numeração babilônico, suas características estruturais e suas contribuições duradouras para a ciência moderna. O estudo investiga a transição das contagens concretas do Paleolítico e do Neolítico ilustradas pelo Osso de Ishango e pelo uso de tokens de argila na Mesopotâmia até a consolidação da escrita cuneiforme pelos sumérios e babilônios. Os resultados evidenciam que a maior inovação do sistema babilônico residiu na articulação pioneira entre a base sexagesimal e o princípio posicional. Embora essa estrutura apresentasse limitações de legibilidade decorrentes da ausência inicial de um símbolo para representar o vazio posicional (o zero), ela dotou a administração, a agrimensura e a astronomia antigas de uma flexibilidade de cálculo sem precedentes. Conclui-se que o legado dessa arquitetura aritmética transcendeu as rupturas civilizacionais, permanecendo organicamente ativo na metrologia do tempo e na divisão geométrica circular contemporâneas, o que reforça a relevância da História da Matemática como ferramenta crítica para compreender os processos de abstração cognitiva.
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